sábado, 22 de outubro de 2011

sábado, 15 de outubro de 2011

L'inferno dei viventi non è qualcosa che sarà

« L'inferno dei viventi non è qualcosa che sarà; se ce n'è uno, è quello che è già qui, l'inferno che abitiamo tutti i giorni, che formiamo stando insieme. Due modi ci sono per non soffrirne. Il primo riesce facile a molti: accettare l'inferno e diventarne parte fino al punto di non vederlo più. Il secondo è rischioso ed esige attenzione e apprendimento continui: cercare e saper riconoscere chi e cosa, in mezzo all'inferno, non è inferno, e farlo durare, e dargli spazio. » 

(Italo Calvino, Le città invisibili, 1972)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Meu avô

Penso, logo existo. Penso todo o tempo. Penso demais, às vezes.

Eu gosto da bíblia porque explica muitas coisas inteligentes com parábolas: o filho pródigo, o bom samaritano, as sementes que caem do cesto pelo caminho de pedras e espinhos... Gosto desse método, e tento usar-lo sempre que tenho que explicar algo que seja ou muito complicado de expressar ou muito abstrato.

A Europa é para mim como um daqueles avôs americanos que foram ao Vietnã, ou que viveram a Segunda Guerra: homens que passaram por dificuldades, mas venceram na vida. Um tipo de entidade que ficou presa entre esses dois mundos da louca guerra e da vida cotidiana.




Europa me ajudou muito. Me dá segurança, me deixa estar fora de casa até as três da manhã, como nos tempos de Franco. Me deu de comer, e comida muito boa, mas sem esbanjar nem desperdiçar: isso não se faz. Me deu um teto, roupas muito boas feitas em China, Marrocos e Turquia. Me ajudou a pagar a universidade. Europa quer meu bem, e se me deu tudo isso é porque o mereci, e tive muitos sorrisos com a cara suada para agradar-la e fazer-la feliz. Sempre lutei muito por isso, e por ser agradecido, porém Europa é muito dura. Passou muitíssimos anos comendo pão velho, batatas e sopa enlatada. Tempo demais. Por isso Europa nunca está satisfeita: sempre te exige mais. Um dia te pede para lavar os pratos, e quando você se abitua com isso, te pede que os seque muito bem, e algum tempo depois te pede que limpe os talheres de prata com vinagre. Se Europa te ajuda você tem que obedecer à Europa e demonstrar que o merece, mas essa demonstração tem que ser um hábito diário, uma parte de sua personalidade. "E que não mude de idéia ou peça muitos favores". Quando isso acontece Europa te faz uma cara como as de Clint Eastwood quando está zangado com algo.

Faça o que te digo. Se algo vai mal, a culpa é sua. Não me peça nada mais. Corra! Não insista. É hora que você volte à sua casa, ou a onde quer que seja.