quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A cobra e os cachorros

Hoje, ao redor das onze da manhã, ouvi gritos desesperados do meu pai, que ordenavam ao cão que parasse - PARA LANA! PARA! Desci as escadas correndo, pensando que o cão o estivesse atacando, mas assim que desci, perguntei a meu pai. "O que é que tá acontecendo?". Ele me respondeu:
 - Uma cobra, tem uma cobra ali!

Prendemos os cachorros, com medo que tentassem atacar a cobra e fossem mordidos. Lana, a branca, estava enlouquecida, mas a conseguimos agarrar e levar ao canil, Pudim estava mais tranquilo. Uma pá e uma enxada foi o que precisamos pra execução da cobra, comprida como minha perna, grossa como um pacote de Halls e verde como uma folha que acaba de brotar. Golpes, medo de saltos e reações inesperadas, um bicho verde que se retorcia e insistia em não morrer, Lana que escapa do canil pra nos dar um último susto, instruções paternas sobre a melhor localidade onde atirar o corpo do defunto réptil.

Meus cachorrinhos se revelaram assassinos eficazes e corajosos, mesmo que um pouco inconsequentes. Defenderam a causa!

Lana e Pudim

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Carta a Bruninho Aquino n° 283

bom dia professor bruno fulerage aquino!

eu e a senhorita Julianne chegaremos no aeroporto pinto martins (me dei conta agora, que nome feio pra um aeroporto) dia 07/12 as 22.10. As passagens já foram compradas

a ultima semana aqui ta uma correria louca. tenho que fazer duas provas, uma amanha e outra na segunda, to gripado, com um dente meio quebrado (um molar), alem de ter que pagar a taxa da universidade desse ano, 600 paus! e dois alugueis antecipados, dezembro e janeiro. bem, temos que agradecer a deus todos os dias pelos dois braços, duas pernas e dois olhos que temos, não?! graças a deus.

não acredito que vou passar um mês e meio separado de Valme. vou sentir a falta dela, mas realmente to precisando ir ao brasil. renovar as energias, ver meu pai que não vejo há dois anos. incrível... tenho que me formar bruno, chega dessa vida corrida de roma. tenho que ver vocês. que saudade da minha vidinha tranquila... meio humilde, mas tranquila e rotineira.

a gente se divertia, né não?

abraço

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tantos meses

Vamo lá Lucas... vamo tentar escrever sobre os últimos meses...

Minha mãe esteve aqui em Roma por três meses. Claro que ela adorou a estadia já que viu que eu e minha irmã estamos bem aqui: já temos nossos amigos, nos viramos com nosso dinheirinho, trabalho tranquilo, a faculdade tá indo, devagar mas vai, estamos felizes no fim das contas.

No início de setembro participei de um workshop de arquitetura em uma cidadezinha a duas horas de distância de Roma. Tínhamos que construir uma estrutura de madeira e bambú com nossas próprias mãos, utilizando a menor quantidade possível de ferramentas e maquinário, evitar o cimento e materiais pré-fabricados, evitar plásticos e materiais sintéticos, porém infelizmente tivemos que ceder à algumas exceções devido ao prazo de entrega da construção.

Eu e Valme estamos juntos outra vez, depois de separados por vários meses. Não foi fácil convencer-la a voltar comigo, tendo toda a razão de resistir, mas voltamos. Na verdade, estamos voltando ainda, a gente tem que trabalhar muito nisso, mas a cada dia estamos melhorando e fortalecendo a relação. Eu gosto muito daquela menina... nossa...

Fizemos uma viagenzinha em algumas cidades da Umbria, no centro da Itália. Não conhecíamos aquela região. Gostamos muito.

A inspiração é algo completamente ausente nesse exato momento, por isso o que escrevi anteriormente me saiu de maneira mecânica. Eu e meus colegas da faculdade estamos concentrados em uma prova de restauro... nas últimas duas semanas vi mais fotos antigas que em toda minha vida anterior... falamos somente de tijolos, pedras e torres medievais... e essa materia se chama "elementi di restauro", quer dizer, essa é uma matéria preliminar para o "projeto de restauro". Com certeza vocês podem imaginar a importância que tem o projeto de restauro na faculdade de arquitetura de Roma, não? E da quantidade de tempo perdido em pesquisa e peregrinações nas 500 bibliotecas de Roma (não, espero que não existam 500 bibliotecas em Roma...).

Muito provavelmente - faltando muito pouco para um "com certeza" - vou mudar de país a partir de julho-agosto do ano que vem. Vou pra Espanha com Valme, virar um arquiteto espanhol. Convém a nós dois, e estamos muito felizes com a decisão. Claro, algumas matérias que fiz em Roma não serão válidas na Espanha, resultando em mais tempo na faculdade, mas em compensação a faculdade de lá é menor do que a de Roma, isso quer dizer mais contato com o professor e acompanhamento didático, os contatos com os outros estudantes serão mais concentrados, já que seremos menos. Lá o caráter tecnológico da construção é afrontado de maneira mais independente em relação à Engenharia. Alí o arquiteto tem poder, enquanto na Itália já existem arquitetos demais para um país que decresce demograficamente e que possui muitíssimos edíficios para requalificar. O meu negócio e construir, e disso precisamos no Brasil. Na Espanha trabalharei menos pois os salários são como aqui, e os alugueis custam a metade. Por viver alí economizarei em torno a 200 euros por mês, o que não é pouco. Mas o melhor de tudo, na Espanha vou ter Valme. vamos morar juntos em algum apartamento pelos arredores do centro de Sevilla (o centro de lá é menor e muito mais barato que aquele de Roma). Quinze minutos de bicicleta e chego na faculdade... um sonho que vai ser realidade. Ela vai tá em seu país de origem, vai ter um trabalho que gosta, falar sua própria língua e tantas outras vantagens. Para que sermos estrangeiros todos os dois? Assim temos dificuldades todos os dois, enquanto na Espanha só eu serei estrangeiro, e estrangeiro por estrangeiro prefiro ser-lo alí que aqui.

Dia 23 de novembro tô chegando em Salvador. Se preparem pra acolher-me. Tô muito feliz de rever minha gente.

White knuckles - Ok Go

segunda-feira, 8 de novembro de 2010