segunda-feira, 15 de março de 2010

Como é que tá la na Europa?

Nesse exato momento estou em uma aula de salsa... estou em uma aula de salsa pois nenhum dos meus colegas da capoeira me avisou que o professor de salsa precisava recuperar umas aulas que tinha em atraso, e por isso pediu ao meu professor de capoeira um pequeno favor. A nossa aula começará às 21.00 em vez das 19.30

Nesse exato momento estou em uma aula de salsa, pensando no que dizer às pessoas que de vez em quando se perguntam "como é que tá o Lucas lá na Europa?"

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Lucas está na Europa, Roma, Itália. Estuda Arquitetura em um ritmo muito mais lento que o seu anterior ritmo brasileiro. Trabalha como garçom, e às vezes como barman, em um restaurante-cafeteria que se chama Magnolia em Campo dei Fiori, Roma, Itália, desde fevereiro de 2007. Não tem nenhum parente italiano, nem cidadania italiana, nem dinheiro brasileiro. Chegou aqui através um visto de estudos, o mesmo que é dado às pessoas negras, aos latinos e aos chineses.

Sempre viveu em casas com no mínimo outros três habitantes, e com um máximo de outros seis - inclusos amigos turistas, amigos sem casa, namorados sem casa, namorados sem-vergonha, etc. Atualmente vive em um quarto só seu - pois ali pode dormir quem ele bem entender, por exemplo: sua namorada - em um apartamento de três quartos, dois banheiros, cozinha e varanda. Nos outros dois quartos vivem uma húngara de cabelos negros e lisos - com quem divide a responsabilidade pelo apartamento - que se chama Judit - Íudit, T mudo  -, uma brasileira de cabelos lisos e compridos, e uma sueca de cabelos loiros, que se chamam respectivamente Helen e Frida.

Incrivelmente é ele quem sempre limpa a casa, porém nos ultimos meses sua namorada, que se chama Valme, lhe tem ajudado muito em relação à casa, de uma maneira incrível. Tão incrível que ela conquistou as meninas que vivem com ele.

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Estou em um tipo de "secretaria municipal". Tenho que ajeitar uns papéis em relação à casa.  O meu número é o 135. Parece que hoje o negócio tá andando rápido: já estamos no 114!

Acho que já falei tudo sobre a casa.

Sobre a faculdade: estudo arquitetura e espero me formar em dois anos e meio (que provavelmente se transformarão em três se a situação financeira não melhorar). O prédio está separado do resto da cidade universitária. Acho que isso influencia um pouco a minha impressão de não estar em um ambiente realmente universitário. apesar da nossa faculdade estar bem no meio de um parque - um dos melhores e mais bonitos de Roma - nunca vejo ninguém tocando violão, ou grupinhos de estudantes jogados na grama e criticando ingenuamente o projeto de alguma archistar, ou casais apaixonados alisando um ao outro. 122! Acho que o frio também é um fator muito importante em relação a isso.

Não tenho muitos amigos ali. Na verdade não tenho quase nenhum amigo, só conheço alguns estrangeiros. Depois de muito julgar os italianos como inseguros e imaturos  - que em resumo seria um tipo de xenofobia -, tenho que reconhecer que grande parte da culpa é minha. Não por minha "vontade de não ter amigos", mas por meu diferente tipo de vida. Trabalhar e Estudar te põem em outro mundo pois te mostra muitas outras possibilidades que fazem parte do universo acadêmico: horários, trabalhos em grupo, atividades, revisões com o professor, tudo adquire um outro significado e te faz definir, a você mesmo, o que é mais prioritário ou não. Esse parágrafo parece meio confuso, mas foi a única maneira que encontrei como descrever a situação.

134!

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Biblioteca de Economia. Eu e Pedja estamos tentando estudar algo para talvez fazer um exame na próxima semana. Há um ano que estou tomando coragem pra fazer o exame de Estruturas I, e Pedja o exame de História Antiga, e acho que não vai ser na próxima semana que a gente vai ser aprovado. Acho que semana que vem a gente vai se encontrar na frente de um examinho qualquer tipo Literatura Artística ou Geografia Urbana, mas ao menos não deixa de ser um exame, né? Quanto otimismo.

Nenhum dos dois estudamos Economia, e nem sabe muito bem o que realmente faz um economista - assim como os economistas não sabem muito bem o que fazem os arquitetos -, mas como o restaurante universitário é aqui do lado, a gente vem estudar aqui.

Como já dito, além de estudante sou garçom.


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Às vezes quando os barmans não podem vir ("barman" não é a palavra mais apropriada em nosso caso. 1) de dia, os nossos "barmans" são todas mulheres, e 2) não preparamos praticamente nada alcólico, a parte as cervejas, vinhos e uns poucos aperitivos) sou eu o responsável pela caixa e pelo bar. Na verdade divido essa responsabilidade com Thaís, uma outra menina brasileira, grandíssima amiga minha que me aconselha sobre um montão de coisas (isso tudo porque ela é velha. Brincadeira! Brincadeira! Calma Thaís, não me xinga não). Enquanto eu faço os cafés, cappuccinos, essas coisas, é sempre ela que lembra dos detalhes "logísticos": "Lucas, já contou o dinheiro do caixa? E cadê o gelo? Já cortou as frutas?".


Eu me dou muito bem com os companheiros e com os clientes - que são quase sempre os mesmos pois estamos rodeados de bancos, escritórios e embaixadas. Me dou bem com meu chefe também, mas de vez em quando temos umas pequenas discussões pois ele nunca sabe quando se comportar como Chefe ou como Amigo, aliás, sabe se comportar muito bem como todas as duas coisas, pois sempre assume o comportamento que mais está a seu favor (pensando bem, todo chefe deve ser assim).

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