Vamo lá Lucas... vamo tentar escrever sobre os últimos meses...
Minha mãe esteve aqui em Roma por três meses. Claro que ela adorou a estadia já que viu que eu e minha irmã estamos bem aqui: já temos nossos amigos, nos viramos com nosso dinheirinho, trabalho tranquilo, a faculdade tá indo, devagar mas vai, estamos felizes no fim das contas.
No início de setembro participei de um workshop de arquitetura em uma cidadezinha a duas horas de distância de Roma. Tínhamos que construir uma estrutura de madeira e bambú com nossas próprias mãos, utilizando a menor quantidade possível de ferramentas e maquinário, evitar o cimento e materiais pré-fabricados, evitar plásticos e materiais sintéticos, porém infelizmente tivemos que ceder à algumas exceções devido ao prazo de entrega da construção.
Eu e Valme estamos juntos outra vez, depois de separados por vários meses. Não foi fácil convencer-la a voltar comigo, tendo toda a razão de resistir, mas voltamos. Na verdade, estamos voltando ainda, a gente tem que trabalhar muito nisso, mas a cada dia estamos melhorando e fortalecendo a relação. Eu gosto muito daquela menina... nossa...
Fizemos uma viagenzinha em algumas cidades da Umbria, no centro da Itália. Não conhecíamos aquela região. Gostamos muito.
A inspiração é algo completamente ausente nesse exato momento, por isso o que escrevi anteriormente me saiu de maneira mecânica. Eu e meus colegas da faculdade estamos concentrados em uma prova de restauro... nas últimas duas semanas vi mais fotos antigas que em toda minha vida anterior... falamos somente de tijolos, pedras e torres medievais... e essa materia se chama "elementi di restauro", quer dizer, essa é uma matéria preliminar para o "projeto de restauro". Com certeza vocês podem imaginar a importância que tem o projeto de restauro na faculdade de arquitetura de Roma, não? E da quantidade de tempo perdido em pesquisa e peregrinações nas 500 bibliotecas de Roma (não, espero que não existam 500 bibliotecas em Roma...).
Muito provavelmente - faltando muito pouco para um "com certeza" - vou mudar de país a partir de julho-agosto do ano que vem. Vou pra Espanha com Valme, virar um arquiteto espanhol. Convém a nós dois, e estamos muito felizes com a decisão. Claro, algumas matérias que fiz em Roma não serão válidas na Espanha, resultando em mais tempo na faculdade, mas em compensação a faculdade de lá é menor do que a de Roma, isso quer dizer mais contato com o professor e acompanhamento didático, os contatos com os outros estudantes serão mais concentrados, já que seremos menos. Lá o caráter tecnológico da construção é afrontado de maneira mais independente em relação à Engenharia. Alí o arquiteto tem poder, enquanto na Itália já existem arquitetos demais para um país que decresce demograficamente e que possui muitíssimos edíficios para requalificar. O meu negócio e construir, e disso precisamos no Brasil. Na Espanha trabalharei menos pois os salários são como aqui, e os alugueis custam a metade. Por viver alí economizarei em torno a 200 euros por mês, o que não é pouco. Mas o melhor de tudo, na Espanha vou ter Valme. vamos morar juntos em algum apartamento pelos arredores do centro de Sevilla (o centro de lá é menor e muito mais barato que aquele de Roma). Quinze minutos de bicicleta e chego na faculdade... um sonho que vai ser realidade. Ela vai tá em seu país de origem, vai ter um trabalho que gosta, falar sua própria língua e tantas outras vantagens. Para que sermos estrangeiros todos os dois? Assim temos dificuldades todos os dois, enquanto na Espanha só eu serei estrangeiro, e estrangeiro por estrangeiro prefiro ser-lo alí que aqui.
Dia 23 de novembro tô chegando em Salvador. Se preparem pra acolher-me. Tô muito feliz de rever minha gente.
Novidades boas, meu caro.
ResponderExcluirTenho alguns amigos que moraram em Sevilla e adoraram.
Já começarei a juntar dinheiro pra visitar você e Valme nas terras da Andaluzia.
Abração.
otimo meu filho. pois venha mesmo, viajar pela andalusia e como viajar por um continente inteiro
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