sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A eterna viagem hiperbólica das coisas

Seria um bom título de livro, não?

"Haicai"

As lentilhas são
verdugos. Mas que mentira,
eu não fui. Prometo.

Pequena homenagem à cozinha espanhola
 e seus perigosos pratos cheios de 
feijões, lentilhas e grãos-de-bico.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sevilla, aquí estoy

...in cambio ti racconto un paio di novità. Scrivo con le maiuscole poi devo allenarmi: ho questa mania di scrivere male sull'internet.

Bene, da giovedì scorso sono definitivamente a Siviglia. Valme è venuta e siamo rimasti in un albergo durante il fine settimana. Volevamo stare un pò di tempo da soli dopo quel mese di lontananza, e anche cercare una stanza per me per un paio di mesi. Non possiamo ancora affittare un'appartamento solo per noi poi lei ha trovato un lavoro un mese fa, e il contratto finisce a fine dicembre o inizio gennaio. La scadenza è variabile poi si tratta di una sostituzione.

Adesso devo essere uno studente modello. Ho già un paio di progetti da rincorrere per colpa di quel ottobre di assenza, però credo che ci riuscirò. La gente che ho conosciuto qui è molto disponibile rispetto alla Sapienza, siano i professori che gli studenti.

Da giovedì comincio a cercare lavoro. Prima di questo voglio dare priorità agli studi e alla burocrazia finale rispetto al permesso di soggiorno e cose varie, che comunque mi pare molto semplificata.

sábado, 22 de outubro de 2011

sábado, 15 de outubro de 2011

L'inferno dei viventi non è qualcosa che sarà

« L'inferno dei viventi non è qualcosa che sarà; se ce n'è uno, è quello che è già qui, l'inferno che abitiamo tutti i giorni, che formiamo stando insieme. Due modi ci sono per non soffrirne. Il primo riesce facile a molti: accettare l'inferno e diventarne parte fino al punto di non vederlo più. Il secondo è rischioso ed esige attenzione e apprendimento continui: cercare e saper riconoscere chi e cosa, in mezzo all'inferno, non è inferno, e farlo durare, e dargli spazio. » 

(Italo Calvino, Le città invisibili, 1972)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Meu avô

Penso, logo existo. Penso todo o tempo. Penso demais, às vezes.

Eu gosto da bíblia porque explica muitas coisas inteligentes com parábolas: o filho pródigo, o bom samaritano, as sementes que caem do cesto pelo caminho de pedras e espinhos... Gosto desse método, e tento usar-lo sempre que tenho que explicar algo que seja ou muito complicado de expressar ou muito abstrato.

A Europa é para mim como um daqueles avôs americanos que foram ao Vietnã, ou que viveram a Segunda Guerra: homens que passaram por dificuldades, mas venceram na vida. Um tipo de entidade que ficou presa entre esses dois mundos da louca guerra e da vida cotidiana.




Europa me ajudou muito. Me dá segurança, me deixa estar fora de casa até as três da manhã, como nos tempos de Franco. Me deu de comer, e comida muito boa, mas sem esbanjar nem desperdiçar: isso não se faz. Me deu um teto, roupas muito boas feitas em China, Marrocos e Turquia. Me ajudou a pagar a universidade. Europa quer meu bem, e se me deu tudo isso é porque o mereci, e tive muitos sorrisos com a cara suada para agradar-la e fazer-la feliz. Sempre lutei muito por isso, e por ser agradecido, porém Europa é muito dura. Passou muitíssimos anos comendo pão velho, batatas e sopa enlatada. Tempo demais. Por isso Europa nunca está satisfeita: sempre te exige mais. Um dia te pede para lavar os pratos, e quando você se abitua com isso, te pede que os seque muito bem, e algum tempo depois te pede que limpe os talheres de prata com vinagre. Se Europa te ajuda você tem que obedecer à Europa e demonstrar que o merece, mas essa demonstração tem que ser um hábito diário, uma parte de sua personalidade. "E que não mude de idéia ou peça muitos favores". Quando isso acontece Europa te faz uma cara como as de Clint Eastwood quando está zangado com algo.

Faça o que te digo. Se algo vai mal, a culpa é sua. Não me peça nada mais. Corra! Não insista. É hora que você volte à sua casa, ou a onde quer que seja.

domingo, 25 de setembro de 2011

Trovare una moneta porta fortuna


"Trovare una moneta porta fortuna: conservatela."

Essa manhã encontrei duas em menos de dez minutos: uma de dois centavos e logo depois uma de cinco. Pela tradição estou mais que abençoado! Acho que vou fazer uma pulseira ou um colar com elas...


***

Os próximos dias serão ao estilo Sem-Teto: sair do abrigo às 9:00, voltar depois das 22:00, comida expressa como macarrão, saladas várias e sanduíches que sempre farão parte do meu kit de sobrevivência diário.

Cardápio do jantar de hoje: macarrão ao alho e óleo com bacon. Ummm!

sábado, 24 de setembro de 2011

diario espresso 1




proprio adesso sono a sevilla risolvendo le ultime cose all'università. adesso devo fare il serio da lunedì per un pò di anni. sono un pò nervoso però contento. la città mi piace molto, mi fa sentire bene, è molto organizzata in tantissimi aspetti, e la gente dell'universita fin'ora ha fatto di tutto per aiutarmi, ma mi devono convalidare ancora delle materie. speriamo che siano buoni anche rispetto a questo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A sangue frio

Hoje pela manhã, enquanto tomava um banho, debaixo da ducha, comecei a observar o recipiente do sabão líquido, e a primeira coisa que vi foi um "5.5" bem grande. Logo em seguida vi a sigla pH, e comecei a pensar sobre o pH das coisas. Me lembro que os valores partem de zero e vão até catorze, sendo zero o mais ácido e catorze o mais básico, daí comecei a pensar sobre o pH da boca, que é praticamente neutro, em torno a sete, assim que, pensei, 5.5 não é o pH mais adequado para a pele. A desidratataria um pouco, talvez. Daí me lembrei da soda cáustica, que apesar do que parece é um elemento super básico, e não super ácido como comumente imaginamos. Daí me lembrei que meu pai botava isso no encanamento da pia da cozinha quando se entupia, e que dissolvia tudo o que encontrava pelo caminho. Daí comecei a imaginar a soda cáustica que caía sobre mim, e começava a queimar-me a pele e devagarinho derreter meus ossos. Tudo isso enquanto a água fria, muito fria, do chuveiro caía sobre mim e me fazia tremer um pouco, principalmente depois de imaginar uma cena tão macabra.

Esqueci de dizer que estou lendo um livro que talvez possa justificar minha linha de raciocínio. Se chama A Sangue Frio de Truman Capote.



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nova Brasil FM






Pra quem quer uma rádio que só toque música brasileira
No alto à direita, CLIQUE E OUCA
RECOMENDADO

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Cozinha físico-química

Não sei bem porque, mas sempre que vou cozinhar, ou tomar uma daquelas pastilhas efervecentes de vitamina C, me lembro da aula de física, ou química, lá pela sétima ou oitava série, que explicava o que eram os fatores colaborantes às reações físico-químicas entre diferentes elementos, e como tudo isso pode ser decisivo no resultado da reação: superfície de contato, temperatura, pressão, velocidade e algo mais. Tudo isso respectivamente a cortar as verduras em pequenas ou grandes, acender o fogo, tampar a panela e mexer às vezes. Isso quer dizer que a batata assada pode estar muito seca se você as corta em pedaços pequenos demais e o fogo é muito alto, ou cruas se cortadas em pedaços muito grandes.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Fevereiro - Abril 2011

Tomando coragem pra escrever algo. Começar. Tem tempo que não escrevo nada e nem a niguém. Os projetos me estão ocupado a cabeça, não tem espaço pra nada mais. Projetar, muita gente que me conhece entenderá a ironia: minha vida é cheia de projetos.

Nos últimos dois meses estive fazendo boxe. Eu gostava muito, de verdade, mas lá tinha uma galera fanática, e vários daqueles que às vezes passam na televisão acusados de terem batido em alguém pelo meio da rua gratuitamente. Isso me desmotivou um pouco, não por medo, mas pelo simples motivo que me sentia meio deslocado. Mas uma coisa me vai fazer falta: é ótimo dar um murro bem dado, imagina então bater tanto no saco até não aguentar mais! Que prazer! O arquiteto Bruno Nogueira deve entender do que tô falando.

Há umas semanas atrás estive na Espanha pela última vez como turista. Foram quatro dias de observação: essa será minha vida cotidiana. Almoços de domingo com a família de Valme, saídas com seus amigos, cunhados, sogros, sobrinhas. Hoje vamos ao mediterrâneo ou ao Atlântico? Você janta em casa? Tô com uma vontade de macarrão. Onde a gente vai no sábado? Você folga? Tô morto de cansado! Você é tão linda quando acorda, te juro. Gabriela é sempre tão simpática comigo. E o que mais? Muito mais minha gente! Presunto e vinho espanhol, passeios em cidades super quentes, paisagens cobertas de oliveiras e touros negros, montanhas, túneis, projetos de grandes arquitetos, mentalidades imperialisticas, simpatia pela rua, risadas e gritos e beijos, cafés da manhã saudáveis ou não sempre seguidos de abraços e beijos que dizem "te vejo mais tarde" ao invés de "te vejo em dois meses".

Meus meses em Roma estão contados. Minha cabeça, na verdade, já partiu, porém ainda tem muito o que se resolver por aqui. Traduções, últimos exames, burocracias trabalhistas, arrumar as malas e muito mais. Me preparar pra falar em espanhol o tempo inteiro, nova faculdade, nova cidade, nova vida. Vou voltar a ser um estudante modelo, ou quase. Vou morar em um apartamentinho com dois quartos com minha querida loirinha, e se encontramos um que tenha varanda provavelmente teremos um cachorro também.

Estou fazendo meu último projeto em Roma, e quero que seja o melhor, assim vou com boas lembranças, mesmo que sejam poucas, da minha vida universitária em Roma. Um dia desses me disseram uma coisa. Não queria mas tive que concordar: "Lucas, você devia ter ido embora daqui há muito tempo".

Bic/Bic/Bic – Bic Cristal

Nessuno disegna tanto per disegnare. Disegnare non è un hobby, disegnare, in Architettura, significa dover risolvere un problema.
Gli architetti disegnano per dovere, non per piacere; come nella Scuola di Belle Arti, dove c’era un orario, un modello, un professore, e noi alunni chiusi tra i cavalletti.
Disegnare, in Architettura, è correre contro il tempo, prendere ciò che sta a portata di mano: una scatola di fiammiferi, un biglietto del tram, un pacchetto di sigarette rovesciato, i sacchetti per il mal d’aria che si trovano in aereo, oppure il nostro quaderno, che non deve avere carta di pregio.
La carta, se è di buona qualità, spessa, ci intimidisce, facciamo cerimonie, ci inibisce i gesti, e non è per la grammatura della carta che passiamo ai posteri.
Anche la penna deve essere banale, leggera, anonima e disponibile in ogni angolo della città.
Una penna di marca, di buon design, ci distoglie dall’obbiettivo, ci distrae perché ne avvertiamo il peso, la qualità che le impedisce di ostruirsi se anche i gesti sono frenetici.
Anche disegnare con la matita può non essere la migliore soluzione. Quando constatiamo che stiamo ottenendo risultati poco brillanti, potremmo lasciarci andare ad amabili trame, accennare nuances di graffite e ritardare l’indifferibile: “La Costruzione della Forma”. (Quanto ad aggiungere colori, poi, nemmeno a parlarne).
Quasi sempre disegno e scrivo con una Bic Cristal, nera, uguale a se stessa da quarant’anni. Non spande, il tratto non varia, scrive anche se la si dimentica aperta, è sempre disponibile in qualunque negozio.
Quando finisce, torna vergine, trasparente, e sono 14,5 cm di plastica da buttar via. Con mezzo euro possiamo ricominciare a schizzare, fino alla prossima e così via di seguito…
“ 

(Eduardo Souto de Moura, Porto, 24 giugno 2002)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Turista nunca mais...




valme e sara

aprendendo a fazer sushi

terreno da meu ultimo projeto em roma



sevilla


terça-feira, 15 de março de 2011

Roma e suas ruínas

"Que bonita é Roma com todo seu passado e ruínas"

O Coliseu em ruínas,
o Mercado de Trajano em ruínas,
o sistema de transportes públicos em ruínas,
a universidade em ruínas,
a burocracia que te arruína todo um dia,
o sistema político arruínado,
os aluguéis que arruínam seu salário.

"Que bonita é Roma com todo seu passado e ruínas"

A Centopéia

O cara vivia sozinho, até que decidiu que sua vida seria melhor se ele tivesse um animalzinho de estimação como companhia. Assim, ele foi até a loja e falou ao dono que queria um bichinho que fosse incomum. Depois de um tempo, chegaram à conclusão que ele deveria ficar com uma centopéia. Centopéia, macho de preferência, seria mesmo um bichinho incomum...

Um bichinho tão pequeno, com 100 pés , é realmente incomum!

A centopéia veio dentro de uma caixinha branca, que seria usada para ser a sua casinha. Bem... Ele levou o bichinho para casa, achou um bom lugar para colocar tão pequenina caixinha e decidiu que o melhor começo para sua companhia seria levá-la até o bar para tomarem uma cervejinha. Assim, ele perguntou à centopéia, que estava dentro da caixinha:

- Gostaria de ir comigo até o Bar do Português tomar uma cerveja?

Mas não houve resposta da sua nova amiguinha. Esperou um pouco e tentou de novo:

- Que tal ir comigo até o bar tomar uma cervejinha, hein?

De novo.. Nada de resposta da sua amiguinha. Isso o deixou meio chateado. De novo ele esperou mais um pouco, pensando e pensando sobre o que estava acontecendo... Decidiu perguntar de novo, mas desta vez chegou bem perto da caixinha e gritou:

- EI, VOCÊ AÍ!!! QUER IR COMIGO ATÉ O BAR DO PORTUGUÊS TOMAR UMA CERVEJA?

Uma vozinha veio de lá de dentro da caixinha:

- PUTA QUE PARIU! Eu já ouvi desde a primeira vez! Estou calçando os sapatos, PÔRRAAAAA!!!

quinta-feira, 3 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Operário Em Construção

Por Vinicius de Moraes

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:

– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

E Jesus, respondendo, disse-lhe:

– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

domingo, 9 de janeiro de 2011

La Confraria in Bahia

Num sábado de manhã, após uma discussão inflamada (e com otimismo, construtiva) de uma sexta à noite, os três amigos arquitetos fazem as pazes após uma frase do nosso queridíssimo Tiago:
- Galera, vocês já podem ficar tranquilos. Já não estou mais enfezado...
Quem conhece Tiaguinho, pode imaginar a profundidade da frase.
Quero dizer, fazer as pazes depois de uma frase do gênero... vocês nao acham que isso é amor de verdade?
Um grande abraço pros meus amigos Bruno e Tiago.